Todas as sextas-feiras, indo para o trabalho pego na sinaleira (semáforo ou sinal, para quem não é baiano) o Jornal da Metropóle. Tornou-se meu vício ler esse jornal, que é distribuído gratuitamente em vários pontos da cidade e é publicado por Mário Kertész, jornalista e comunicador baiano. Dou risada no carro sozinha lendo alguns dos textos.
O texto a seguir foi do Jornal da Metrópole da semana passada, publicado na seção "Pilha Pura", e fala de algumas expressões utilizadas pelos baianos:
"Não se pode negar que o baiano é um povo criativo. Só ele é capaz de tirar da cartola expressões exóticas para designar tarefas simples. talvez por isso os dicionários de "baianês" fazem tanto sucesso. Aqui, fala-se português com uma pitada de pimenta e humor... Sim, porque alguns termos do dialeto local são uma piada em si mesmos. Confira e identifique-se.
Hora de relógio - Desde quando a hora pertence ao relógio? De acordo com o dicionário Aurélio, relógio é um instrumento ou mecanismo capaz de medir intervalos de tempo. Então, a pergunta que não quer calar; por que o baiano insiste em dizer "eu demorei duas horas de relógio..."? Existe outro tipo de hora, como hora de micro-ondas, hora de televisão...? Se criaram vários tipos de "hora", ainda não anunciaram publicamente. Mas alguns baianos cheios de mediunidade já anteciparam o futuro...
Bater o baba - Pelada, racha, bater uma bolinha, bater o baba. Todas as expressões têm o mesmo significado: jogar futebol. Mas a última é a que se ouve mais comumente por aqui. só não dá para entender o que baba tem em comum com o esporte. Será que os pedaleiros radicais literalmente babam atrás da bola? Ou dos colegas de baba?
Abrir o gás - Para os desavisados, não se preocupem quando alguém usar a expressão. Não se trata de uma ameaça ou atentado à vida de todos os presentes em uma possível explosão na cozinha da casa. Quando o sujeito anuncia, às vezes com formalidade incompatível, que "vai abrir o gás", significa que vai sair o mais rápido possível. Portanto, nada de pânico!
Ir ao reggae - Quando baiano quer sair para curtir, cair na farra mesmo, ele vai "para o reggae". não importa se é axé, arrocha, sertanejo, música eletrônica ou a mais típica MPB, com voz e violão. O ritmo para designar que a balada vai ser boa é o reggae. E quando a farra deu o que falar só resta dizer: "O reggae foi pesado".
Comendo água - Se é que tem alguma origem, a expressão deve ter sido criada por alguém que sofria com o verão baiano passando dos 30º c. Só aqui o sujeito consegue comer água, em sentido literal, gelo, e ficar bêbado. Quanto maior o entusiasmo no momento do anúncio, mais cachaça o cidadão vai ingerir, mais rápido ele vai cair. E comer é a última coisa que alguém pensa quando quer transformar o fígado em tanque de álcool.
Carro=ônibus - Alguns baianos que vão de ônibus todos os dias para casa ou para o trabalho inventaram uma expressão curiosa: 'Vou pegar o carro". Primeiro, carro não se pega, ao menos não no sentido mencionado. segundo, parece tratar-se de um eufemismo. Por que na Bahia o serviço de transporte público é péssimo - ônibus lotados, tarifas cada vez mais altas, motoristas que não param nos pontos e passageiros que parecem ter esquecido que desodorante é deste século. Um verdadeiro transtorno! Talvez chamar de carro floreie a ideia de enfrentar todo esse caos."
Pesquisando um pouquinho no Google, achei esse link da Desciclopédia que tem várias expressões utilizadas por aqui (algumas nem tanto). Seguem algumas mais utilizadas:
"E aí sacana?!" - Olá amigo.
"E aí carniça?!" - Olá amigo.
"Colé, men!" - Olá, amigo.
"Digái, negão!" - Olá, amigo. (independente da cor do amigo)
"E aí, viado!" - Olá, amigo. (independente da opção sexual do amigo)
"Colé de merma?" - Como vai você?
"É niuma!" - Sem problemas.
"Quem é doido?" - De modo nenhum!
"Aquele viado vive filando aula" - Aquele menino vive cabulando/faltando a aula.
"Vô cumê água" - Vou beber (álcool).
"Colé de merma ?" - O que é que você quer mesmo? (Caso notável de compactação!)
"Aquele bicho tira uma onda da porra". - Aquele sujeito é um fanfarrão.
"Eu me saí logo" - Eu evitei a situação.
"Brocar" - Se sair bem em algo, realizar algo com sucesso.
"Oxe!" - Todo baiano usa essa expressão para tudo, mas um forasteiro nunca acerta quando usa.
"Lá ele!" - Eu não, sai fora, ou qualquer outra situação da qual a pessoa queira se livrar.
"Num tô comeno reggae!" - Não estar acreditando ou dando muita importância.
"Num tô comeno reggae de (fulano)!" - Não estar com medo de provocação/ameaça de (fulano).
"Me faça uma garapa!" - Me poupe.
"É o que rapaz?? " - Expressa surpresa, indignação.
" O reggae foi massa!" - A festa foi boa.
" Cê é abestalhado é, vey? " Você é bobo é, rapaz?
"Namoral, vey...se saia aew" - Sai daqui, agora.
"Deixe de onda, vey!! " - Deixe de frescura.
"Deixe de viadagi"- Deixe de frescura.
" Vou ali armar um esquema" - Ir paquerar, ou fazer algo que não se possa comentar .
"Porra!" - expressão de surpresa.
"Pooorra!" - expressão de admiração.
"Porra!" - expressão de raiva.
"Porra!" - expressão de alegria.
- OBS - Existem mais de 5000 diferentes usos para o verbete "porra" em Salvador incluindo nestes o uso do "porra" como uma vírgula, no caso da frase: "... mas porra tava dificil cuma porra".
"Vey!" - usado para chamar a atençao da pessoa com quem está falando.
"Veey" - aviso para alguém ter cuidado com algo.
"Veeey!" - expressa de discordância.
"Veeeey!" - expressão de surpresa.
"Veeeeeey" - expressão de fascínio.
- OBS - Existem mais de 10000000 diferentes usos para o verbete "vey" em Salvador.
"Num sei que, parará, caixa de fósforo" - Quando se quer dizer etc. Ex.: "Aquele fila da puta do Janescro, disse que fez, aconteceu, num sei que, parará e caixa de fósforo com Edilene."
"Fulano é um Zé ruela" - O cara é um babaca .
"Na mão grande" - Algo feito com poucos recursos, na marra .
"Recebi Foi a Galinha Pulando" - Problema ou situação inesperado de alto grau .
"Que porra é essa?" - O que é isso?
"Porra ninhuma" - Expressa dúvida sobre determinado assunto.
"Dei o zignau" - Faltei a um compromisso ou contornei uma situação desagradável.
"Rapaiz!!!" - Que legal!!!
"Rapaiz!!!" - Será?
"Rapaiz!!!" - Entenda!!!
"Rapaiz!!!" - Não sei não...
"Rapaiz" - Pode ser usado como ameaça.
- OBS - Existem mais de 10000 diferentes usos para o verbete "Rapaiz" em Salvador.
"De oooooooooouji!" - Expressão dita estalando os dedos e balançando a mão, referindo-se a algo acontecido há muito tempo.
"Viu sacana? u-um!" - Expressão usada para afirmar quando algum indivíduo faz alguma ação infeliz, ou sofre algum impecílio (Equivalente ao "Aí ó!Se fudeu").
"Feche sua cara" - não se exiba.
"Feche sua cara" - me respeite.
"Se respeite" - Me respeite.
"Vai descer hoje?" - Vai a tal lugar hoje?
"E ai piri?" - Oi amiga!



12 comentários:
kkk
Muito bom, tenho muita vontade de ir para lá, to vendo que vo precisar de um dicionário. xD
Não acredito que vieste ao Pará e, sequer, me avisaste!
Caramba, perdeste a oportunidade de ser a única blogueira a conhecer minha identidade verdadeira pessoalmente! Sem contar que eu te levaria aos melhores lugares de Belém!
Aff, que droga! Mas tudo bem, eu supero!
Beijos
PS.: A história do "Rapaiz" é igualzinha aqui! Só que, no Pará, quem faz esse papel é o famoso "Égua!"!rs
Adoro o nosso baianês hehe :)
Tem um selinho pra ti
achoq ue o maior ponto de referência de nossa "baianidade nagô" é o baianês. mais que as fitas do bonfim e o acarajé. o que marca é o dialeto, o sotaque, as mil e uma utilidades da porra e nossa famigerada hora de relógio... e esta tem estudo!!!
diz-se que, a expressão prende a contagem do tempo ao tempo físico, deixando-se o tempo psicológico de lado, dando ênfase ao tempo passado esperando o acontecido...
pode??
Magnífico amiga Raquel! Sabemos que os baianos têm luz própria e também uma maneira muito baiana de ser e falar.
Espero que você seja logo aprovada nos concursos para voltar às atividades na blogosfera.
Abraços fraternos do amigo Gilbamar.
maneirissimo post, gosto de vir aqui.
Maurizio
.
.
voce deveria postar mais.
Hahahahahahahhahahahahahhahaha
Verei se há em alguma livraria o dicionário bahianês. Deve ser muito interessante. Quanto ao serviço de transporte público, foi o que minha fez minha mãe voltar para o Rio de Janeiro em 3 dias. Não agüentou o "cheirinho".
Mas, brincadeiras à parte, respeito a regionalidade em um modo geral, mas abomino a lingüagem através de vícios, gírias e semelhantes.
¿Beijos!
Nessas horas eu realmente considero se todos nós falamos a mesma língua.... rsrs...
Besos, guapa!
PS.: eu tb não posso ler bula de remédio e desisti de fazer psicologia porque tinha certeza que iria descobrir que sou uma doida-varrida!!!
=D
hahahaa...
adorei o dicionário baianês.. tem umas coisinhas dessas que a gnt fala aqui em natal tbm..
mas a que mais gostei foi:
" Ir ao reggae - Quando baiano quer sair para curtir, cair na farra mesmo, ele vai "para o reggae". não importa se é axé, arrocha, sertanejo, música eletrônica ou a mais típica MPB, com voz e violão. O ritmo para designar que a balada vai ser boa é o reggae. E quando a farra deu o que falar só resta dizer: "O reggae foi pesado"."
tinha q ser reggae, né? hahaha
bjoo
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Quel tô aqui "mo pocando dirir" com o nosso baianês.
E existem tantas falas utilizadas por nós heim? aeuhaueheauehhua
Umas que eu me lembre agora e utilizada muito por Renato Fechinni:
Rumáladergraça - Jogar alguma coisa ou bater em alguém;
Feladaputa - Filho da p***;
Có foi maluco? - Qual o problema meu camarada?;
Vô mi picá - Vou embora agora!;
Mermão! - Meu amigo!;
Tá ligado maluco? - Entendeu meu caro?;
E por aí vai. aheuhauehaheuhaheuhahuea
Nossa eu adoro o baianês kkkkkkkkkkk...
Beijos e Feliz Páscoa pra você!
O bacana Chel, é que volta com tudo...Estava com saudades. Eu adoro baianês.
Bjitos e nao suma, ok?
Bjos!!
Você é uma heroína. Deve ser uma das poucas advogadas que tem blog. Comentário de um advogado, oficial de justiça do TRT/RN q convive com a categoria... parabéns!
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